Há muitos desafios trazidos pela inteligência artificial na perícia médica, mas o fator humano continua indispensável. Saiba mais abaixo!
Olá, leitor! Há alguns meses, publicamos aqui no blog um artigo que trouxe reflexões importantes: Perícia Médica no Século 21 — IA, Ferramentas Digitais e Teleperícia Já São Realidade. Naquele texto, mostramos como a inteligência artificial (IA), a digitalização de processos e a teleperícia já estão transformando a atuação pericial médica no Brasil. O que parecia uma previsão para o futuro, hoje se confirma como realidade consolidada.
E não somos só nós que estamos atentos a essa transformação. Recentemente, a revista Medicina S/A publicou a reportagem “O futuro da perícia e os limites da inteligência artificial”, assinada pela Dra. Caroline Daitx. O texto aprofunda os aspectos técnicos, éticos e legais que envolvem o uso da IA na perícia — e alerta para desafios que vão muito além da tecnologia.
O que já apontamos — e o que foi reforçado no artigo da MEDICINA S/A:
No artigo anterior, já abordávamos o avanço do Sisperjud, da digitalização de laudos e o papel da LGPD. A nova reportagem aprofunda a análise com base em três frentes emergentes:
- Aquisição de evidências com apoio da IA, como visão computacional e machine learning.
- Automação de fluxos e relatórios periciais por meio de geradores de minutas e sistemas de jurimetria.
- Uso crescente da teleperícia conforme as normas do CFM.
Os avanços da IA na perícia — e seus riscos ocultos
A IA já auxilia em tarefas como:
- Detecção de fraturas em tomografias pós-morte.
- Estimativa de idade e sexo por antropologia digital.
- Extração de dados relevantes de prontuários extensos.
- Geração automática de minutas de laudo e jurimetria.
- Participação remota via plataformas de teleperícia.
Mas o avanço não vem sem preocupações. Podemos listar quatro obstáculos críticos que ainda limitam o uso ético e seguro da IA na perícia médica:
- Vieses algorítmicos: que podem reproduzir discriminações e erros históricos.
- Falta de explicabilidade: algoritmos que geram respostas sem lógica rastreável.
- Integração precária com sistemas hospitalares e jurídicos.
- Dúvidas sobre responsabilidade civil em decisões assistidas por IA.
Responsabilidade pericial é sempre humana
Mesmo diante de tantos avanços, pontuo uma premissa ética e legal: a inteligência artificial pode auxiliar, mas não substitui o juízo crítico do perito.
A Resolução CFM nº 2.430/2025 reforça essa responsabilidade pessoal e intransferível. Sempre que há:
- Quantificação de dano.
- Avaliação de capacidade.
- Exigência de exame físico.
Três caminhos para o futuro com segurança e ética
Conforme comentado pela Dra. Caroline Daitx, na matéria publicada na Medicina S/A, médicos peritos, gestores e desenvolvedores devem priorizar:
- Padronização e compartilhamento de bases periciais.
- Investimentos em IA com explicabilidade e transparência.
- Capacitação contínua dos profissionais que operam ou interpretam os dados.
Conclusão — A tecnologia muda o cenário, mas não o propósito
A convergência entre o artigo anterior e a nova reportagem mostra que a perícia médica está em plena evolução. A IA pode trazer agilidade, padronização e suporte técnico de alto nível. Mas o que sustenta um laudo pericial não é o algoritmo. É a consciência ética, o conhecimento técnico e a responsabilidade legal do profissional que o assina.
Assim como concluiu a matéria da MEDICINA S/A, podemos finalizar aqui:
“A tecnologia deve ser tratada como um apoio especializado — jamais como substituta do olhar humano que sustenta a justiça.”.
Caroline Daitx e Equipe de Comunicação Especialista em Medicina Legal e Perícia Médica CRM/SP 194.404 | RQE 94.143

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